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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O tempo certo...

Para algumas coisas... o tempo é relativo...
Era uma daquelas tardes quentes, com sol a pino e o mundo vibrando a todo vapor.
Pessoas passavam pelas ruas correndo com seus afazeres teimando em brigar com o relógio que lhes consome os minutos das suas vidas em tarefas aparentemente infindáveis.
Seus olhos e seus ouvidos cheios de movimento, com cores de todos os tons e sons variados.
E apesar de todo este movimento em seu mundo tudo era oco... sem vida... pálido.
Ao chegar em casa revisitou cada objeto, as fotos da viagem que fizeram, sobre a escrivaninha os papeis e o roteiro da viagem que tanto planejaram nos dois últimos anos... conhecer a cidade natal de seus pais... num pais distante que jamais conheceram, mas que sabiam de detalhes contados por eles...
Em cada lugar da casa uma lembrança... as bicicletas encostadas na lavanderia... e as promessas de que este ano voltariam a pedalar juntos.
As roupas estendidas no varal, e o bilhete colado na geladeira com recomendações sobre como cuidar dos vestidos e das camisas...
Ao abrir a geladeira os congelados e o champagne que esperavam por uma oportunidade para serem postos a mesa.
Na sala sobre a estande os filmes da ultima temporada da serie que esperavam por uma oportunidade para serem vistos.
O carnê com as duas ultimas prestações, lembrou-lhe dos sonhos do carro novo.
Percebeu que em cada canto que passava os olhos encontrava um objeto ou uma lembrança de algo que havia sido programado.
Aos poucos aquilo que antes era oco se preenchia com uma lista infindável de coisas que precisavam e queriam fazer...
Chegou no ultimo aposento, o quarto... os perfumes e objetos carregados de imagens e movimento.
Abriu a porta do guarda roupa e as gavetas e escolheu a melhor lingerie... combinando demoradamente as peças...
Em meio a tantas caixas um sapato que nunca fora usado... e protegido por um plástico o lindo vestido preto com uma grande etiqueta colada...
PARA SER USADO EM UMA OCASIÃO MUITO ESPECIAL...
Sabia que era este...! Sim tinha que ser este...! Comprado em uma linda viagem aguardava ali... o momento mais especial da vida dela...
Tomou todos estes objetos colocando-os em uma caixa cuidadosamente arrumada para este fim...
Chamou um táxi.. e ligou para a sua irmã pedindo que o ajudasse...
Sentou-se na cama e refletiu profundamente sobre tudo que deixaram de fazer neste último ano porque achavam que ainda não era o momento...
Despertou de seus pensamentos apenas no primeiro toque do interfone que anunciava a chegada daquele que o levaria... ao encontro da sua amada...
Não sabe ao certo dizer quanto tempo durou este momento...limpou suas lagrimas e foi ao encontro dela... desejando que este dia nunca tivesse chegado... Sabia que teria que encontrar forças para deixar-lhe linda; como sempre fora; para o seu enterro....
José Carlos Froes
Como os assuntos estão relacionados resolvi colocar o vídeo abaixo... bom proveito...

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Em pé de roseira não nasce cravo...


Em pé de roseira não nasce cravo
Este texto me chega às mãos por alguém muito especial...
Ele fala de posições.. e o quanto é importante assumir a nossa posição...

Tenho uma frase que nasce a partir de uma visão sistêmica dentro dos treinamentos que realizo e que já compartilhei varias vezes e entendo que ela cabe perfeitamente aqui:
“Se você ocupar um lugar que não é o seu, você nunca será o outro e tampouco a sombra de quem poderia ser”.

Demonstra também o quanto dói quando reconhecemos que estamos fora do nosso lugar, e contudo nos fica claro o quanto esta percepção pode ser ao mesmo tempo libertadora.

Meu desejo é de que este texto tão claro e ao mesmo tempo tão singelo possa toca-lo como me senti tocado.

Que ele oferece a possibilidade de reflexão sobre um tema tão profundo quanto é este.

Uma boa leitura e obrigado querida Lúcia pelo presente e pela possibilidade de postá-lo aqui em meu blog.

Parabéns pela dedicação no trabalho que vem fazendo de entender e perceber tudo isto.

Minha gratidão e respeito.

José Carlos Froes

Em pé de roseira não nasce cravo
Durante mais de vinte anos procurei ser um bom pai. Tendo como exemplo àquele que me deu a vida e me criou com amor, respeito, responsabilidade e autoridade, busquei desempenhar da melhor forma este papel.

Como um bom pai trabalhei muito para prover minha família em todas as necessidades materiais. Querendo o melhor usei a máscara de seriedade e, às vezes, uma afetividade contida como meios de estabelecer os limites, manter o “respeito”, marcar a autoridade...

“FOI MAL!”

Ficou assim como um sapato apertado, incomodando, calejando, doendo e tirando o foco do essencial...

E como não dava pra parar ia seguindo em frente, buscando nas festinhas de madrugada, checando as companhias e namoricos, me deparando e confrontando com ideias novas e desconfortáveis para meus padrões, tentando um jeito de aceitar sem tanto me impor. 

A difícil arte de educar, e bota dificuldade nisso ainda mais com o “calo” doendo!
Um dia eu finalmente entendi: Em pé de roseira não nasce cravo!
“DEMORÔ NÉ MÃE!”
Eu nasci MÃE, me esforcei para ser pai também, mas não nasci PAI

É assim: pra ser PAI tem que ter algo especial que só vem “de fábrica”, no gene, na alma, na missão...

Então mais do que nunca admiro, respeito e parabenizo os PAIS, a todos que dão vazão aos atributos que lhe são peculiares nesta tarefa tão nobre, a qual não pode ser imitada, nem realizada por qualquer pessoa.

Agora meu “calo” só dói um pouquinho, talvez pelos vícios destes longos anos, mas melhora assim que dou um abraço, ofereço um “colinho”... enfim sou só MÃE.


Maria Lúcia
São Paulo, agosto de 2013.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Reconhecer, elaborar e integrar... assim nós crescemos um pouco mais...



Passar pela dor....


Desde que comecei a trabalhar com pessoas, tenho me deparado com algumas frases que me chamam muito a atenção:
“Meu passado está morto e enterrado”
“Para isto eu não olho mais”
“Quero deixar meu passado lá... ele não tem lugar aqui”

Confesso que em alguns momentos lá atrás eu mesmo utilizei estas frases, mas a cada dia que passa, mais me convenço que de alguma forma elas são apenas uma maneira de nos mantermos conectados àquilo que não queremos mais.

Sim, pois com certeza de uma forma ou outra aquilo que ficou para trás permanecerá sempre atuando.

Jung (medico e psiquiatra suíço) em algumas de suas celebres frases reforça esta tese:
“O sofrimento precisa ser superado, e o único meio de superá-lo é suportando-o.”
“Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos”
“Tudo aquilo que não enfrentamos em vida acaba se tornando o nosso destino.”


Poderia também citar algumas frases de Freud (médico austríaco criador da psicanálise):
“É escusado sonhar que se bebe; quando a sede aperta, é preciso acordar para beber.”
“Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que
lutaste.”

Veja que não é de hoje e nem minha apenas a visão de que quando passamos por nossas dores podemos aprender com elas.

Um questionamento que sempre vem à tona quando penso nas dores pelas quais passamos é:

Como podemos enterrar uma parte de nossa história?

 Ao fazermos isto não estaremos enterrando também uma parte daquilo que foi útil e produtivo...?
Nossa vida desde o momento em que nascemos se pauta pelas polaridades.


São elas que nos conduzem a uma forma de ser e pensar.


Portanto fica claro que só podemos reconhecer a luz quando passamos pelas sombras e que tão natural quanto o ar que respiramos serão as dores pelas quais passamos por esta vida, e uma tentativa de nos mantermos distantes delas é um movimento de pura ilusão.


Mas assim como um livro que nos recusamos a ler e mantemos trancados na gaveta os acontecimentos passados nunca serão completamente reconhecidos, elaborados e integrados enquanto não nos dispusermos a olha-los com clareza.


Seria ótimo que tivéssemos a possibilidade de uma borracha mágica que apagasse as lembranças ruins e mantivesse apenas as boas, mas veja que aqui o que temos é apenas um pensamento mágico, que nos liberta de forma completamente ilusória.

Sempre pergunto às pessoas com as quais trabalho a diferença entre ilusão e esperança, e as respostas muitas vezes convergem para um ponto onde percebemos que aquilo que os diferencia esta contido em uma única palavra: ação... 


Sem ação o que temos é apenas ilusão, e isto não nos liberta, pelo contrario apenas cria elementos que ao longo do tempo geram mais e mais sentimentos negativos, contribuindo para a o estabelecimento de padrões de comportamento negativos e uma baixa considerável em nossa autoestima e autoimagem.


Pode-se até pensar que então devemos permanecer sofrendo?

Não... Mas saber que em algum momento aquilo que não foi visto e trabalhado um dia volta à tona.


Outro fator importante é saber que o não para nosso cérebro nada mais é do que um estímulo para que permaneçamos olhando para algo, ou seja, é como quando alguém diz: Eu não quero olhar para isto.


Quando esta frase vem é sinal de que já estamos olhando para o fato.
Pode nos libertar de fato?  E de que?

Liberdade é algo está  ligado a uma sensação.... e quando entendemos como buscar esta sensação podemos buscá-la quando quisermos.
Desta forma podemos nos libertar de crenças e valores ultrapassados.

Uma metáfora que as vezes utilizo em meus treinamentos:
 
Um homem um dia estava no enterro de seu próprio filho e não conseguia derrubar uma lágrima sequer.
Todos os que estavam a sua volta olhavam para ele com extrema reserva, presos num julgamento enorme.
“Que homem frio”;  “Sem coração”; “Insensível”....
Agora imagine que pudéssemos voltar o filme de sua vida e voltar a uma época distante, lá na sua infância... quando nos deparamos com a seguinte cena...
Ele pequeno chorando e fazendo birra... (crianças fazem birra!)
Seu pai se aproxima, dá-lhe uma palmada e diz:
“Menino pare de chorar, você não vê que cada vez que você chora sua mãe morre um pouquinho..”
Ele para de chorar e segue sua vida desta maneira.
Quantas oportunidades este homem não perdeu? Por quantas vezes foi julgado?
E assim chegamos ao fatídico dia do enterro de seu filho...
Uma mensagem ficara gravada no seu intimo:
“Cada vez que você chora, você mata alguém que ama um pouquinho...”
Como chorar a morte de alguém, sem que alguém próximo e amado morra também? Difícil.
Mas imagine que agora ele saiba disto... Ai sim ele pode se libertar...
Entendendo que naquele momento a única coisa que seu pai queria era proteger sua mãe. Que tudo se tratava de amor.
Saber disto não retira nada do que foi dito, nem tampouco a dor da palmada, mas oferece um conhecimento sobre sua própria historia que é libertador.

A possibilidade de passarmos pelo trauma ou dor, isto sim pode ser libertador.


Portanto o importante é a disposição de olhar para as nossas questões mais difíceis e passar por elas, como já disse antes, reconhecer, elaborar e integrar, todo o conhecimento.

José Carlos Froes

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Os pais são culpados que não tem culpa...

Os pais são culpados que não tem culpa...

Há anos venho proferindo esta frase dentro dos treinamentos que faço, e posso dizer com certeza que num primeiro contato às vezes o seu efeito é pequeno.
Porém na medida em que ela vai sendo repetida e vivida dentro de cada um seu efeito pode ser transformador.
Como seres humanos acabamos por criar conflitos que muitas vezes podem se tornar enormes ao longo do tempo.

Tenho verificado que na maioria das vezes estes conflitos acabam nascendo a partir daquilo que tomamos não como real, mas como ideal.

Às vezes este ideal talvez nem seja nosso, por vezes se expressando mais como um fardo do que como algo bom.

Esta é uma situação muito comum entre pais e filhos.
Nem sempre os nossos pais serão aqueles que projetamos e muito menos os nossos filhos e nem assim eles deixam de ser nossos pais e tampouco nós de sermos seus filhos.
Existem inúmeras exigências que vem da nossa própria família e as vezes nos submetemos a elas apenas pelo medo da exclusão.

Quantos filhos seguem a profissão, religião, ou até mesmo uma forma de pensar, sentir e viver dos seus pais apenas por este medo.

O medo de não pertencer acaba por fazer com que os caminhos seguidos nem sempre sejam aqueles que gostaríamos ou sentíssemos necessários.

Se isto acontece com os filhos em relação aos seus pais, sem duvida haverá um dia em que este caminho se tornara insustentável.

Ao mesmo tempo acontece um movimento por parte dos filhos que gera um desagravo em relação aos seus pais.

Todas as pessoas acabam por desenvolver o seu próprio senso critico, algo que acontece desde a nossa primeira infância e que ao mesmo tempo que é necessário e importante acaba sendo também extremamente cruel em relação não somente ao mundo e às pessoas que estão ao nosso redor mas principalmente os nossos pais.

O olhar para os pais se fragmenta, de um lado o olhar respeitoso que está relacionado ao sagrado na relação entre pais e filhos do outro aquele extremamente moral que julga a tudo e a todos segundo aquilo que seria importante para cada um de nós.

Este olhar moralista, entendendo aqui moral sobre um ponto de vista mais amplo, julga o ato de todas as pessoas as pessoas segundo os conceitos do certo e errado, belo e feio, bom e mau, e ninguém escapa, inclusive os nossos pais.
Temos além destes dois tipos de olhar um muitas vezes observado e que acaba sendo mais severo conosco e com o pai e a mãe.

O da obrigação, sustentado pelo respeito, que aqui surge mais como uma obrigação, contaminado pela moral extremada, fruto da nossa forma de olhar o mundo.

Desta forma este olhar singular acaba por gerar um distanciamento, pois de alguma maneira queremos deles algo que eles não podem nos oferecer.

Aquilo que está ligado ao que entendemos como ideal, que de certa forma exigimos dos outros acaba então por gerar uma pressão e uma tensão enorme em direção aos nossos pais.

O que às vezes não se entende é que eles já estão dando, assim como nós tudo aquilo que podem dar.

E nesta tentativa de ter do outro aquilo que ele não pode dar nos frustramos e sofremos, e este fenômeno acontece com qualquer pessoa a nossa volta, mas tem um impacto muito maior quando vai em direção a eles.

O vinculo acaba assim por potencializar a dor e o sofrimento, gerando seqüelas que um dia deverão de alguma forma serem levadas em conta, vistas, e quem sabe trabalhadas.

Este movimento acaba por influenciar não apenas o nosso relacionamento com eles (nossos pais), mas o de toda a família.

É muito comum que nesta hora se quebre a ordem e a hierarquia dentro da família, onde cada uma começa a assumir um lugar que não é o seu.

Basta que possamos agora imaginar um filho que acha (olhar distorcido) que seu pai ou mãe não está fazendo o que deveria, procurando então assumir uma postura de ação sobre cada um em separado e ou em conjunto.

Aqui cabe bem uma outra frase que percebo cada vez mais verdadeira:
“Se você tentar ocupar um lugar que não é o seu... você nunca será o outro e tampouco a sombra de quem você poderia ser...”

Imagine viver em uma condição onde você precisa provar a todo custo a alguém (consciente ou inconscientemente) que há outra saída que não a que vem sendo utilizada.

Dor, frustração e acima de tudo uma sensação de vazio.

Um processo que eu acho maravilhoso e que pode nos auxiliar muito neste sentido é o das constelações familiares, se quiser saber mais entre no link, e da próxima vez que você olhar para os seus pais leve isto em consideração.

José Carlos O. Froes

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O monge e o vendedor... Ausência e Presença...

O monge e o vendedor...

Esta parabola foi escrita por Bert Hellinger e sobre ela podemos refletir muito... como sempre acontece com os textos dele, minha sugestão é que você verifique ao final o que sente.

Esta parabola nos fala sobre a discussão entre um mestre e um vendedor.... o que ou quem representa cada um deles talvez seja o ponto de partida.... e depois a forma como cada um vê a vida e tudo mais que nos cerca.... como cada um sente e percebe o todo.

Espero que sua leitura seja produtiva.

J. Carlos Froes


Ausência e Presença (parábola por Bert Hellinger)


Um monge, saindo em busca do Absoluto,

Aproximou-se de um vendedor no mercado

E pediu-lhe comida.



O vendedor observou-o por um momento.

E, dando-lhe o que podia dar,

Perguntou-lhe:

“Como se explica que me peças

O de que precisas para sobreviver

E, mesmo assim, te permites achar a mim e

ao meu negócio.

Coisas insignificantes!

Em comparação contigo e com o que é teu?”


O monge respondeu:

“Em comparação com o Absoluto que procuro,

De fato, tudo o mais parece insignificante.”


O vendedor não ficou satisfeito

E fez outra pergunta:

“Se esse Absoluto existe,

Está além de nosso alcance.

Portanto, como ousar buscá-lo

Como se ele pudesse ser encontrado

No fim de uma longa estrada?

De que modo tomar posse dele

Ou pretender ter dele um quinhão maior?

Ao contrário, se esse Absoluto existe,

Como poderia alguém distanciar-se dele

E ficar excluído de sua vontade e zelo?”


O monge respondeu:

“Somente aqueles que podem despojar-se

De tudo o que lhes pertence

E, de boa vontade, esquecer o que está atado

Ao Aqui-e-Agora,

Alcançarão o Absoluto.”


Não convencido ainda,

O vendedor o pôs à prova com outro raciocínio:

“Presumindo que o Absoluto exista,

Ele deve estar perto de todos,

Embora oculto no aparente e no eterno,

Assim como a Ausência está escondida na Presença,

O Passado e o Futuro no Aqui-e-Agora.

Comparado ao que está Presente

E se nos afigura contingente e fugidio,

O Absoluto parece ilimitado no espaço e no tempo,

Como o Passado e o Futuro

Em comparação como o Aqui-e-Agora.

Mas o que está Ausente só se mostra no Presente,

Como o Passado e o Futuro só se mostram

No Aqui-e-Agora.

Como a Noite e a Morte,

O Absoluto encerra, oculto para nós,

Algo que ainda virá.

Há, porém, momentos em que,

Num piscar de olhos,

O Absoluto ilumina de súbito o Presente,

Como o relâmpago ilumina a noite.

Assim também o Absoluto se aproxima de nós

No atual Aqui

E ilumina o Agora.”


O monge, por seu turno,

Perguntou ao vendedor:

“Se o que dizes é verdade,

Que resta

Para nós dois?”


E o vendedor respondeu:

“Para nós ainda resta,

Mas por pouco tempo,

A Terra.”


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Toda escolha tem seu preço... Aceitação x Aprovação....

Toda escolha tem seu preço...
Indiscutível que cada vez que fazemos uma escolha nesta vida instantaneamente surja o seu preço.
Mas a partir de onde fazemos as escolhas mais importantes nesta vida?
Quais são os critérios que adotamos quando tomamos uma decisão?
Os critérios que determinam nossas escolhas mais importantes surgem a partir daquilo que foi estabelecido como um script em nossas vidas.
Eric Berne nos desenvolvimento do seu trabalho denominou como scrip ou roteiro de vida o plano pré consciente que governa os destinos de uma pessoa.
Ele propõe que o comportamento disfuncional na verdade é o resultado de decisões auto limitantes estabelecidas desde a mais tenra infância.
Muitas vezes o aprendizado da criança acontece não pelo pensar mas pelo sentir, e isto pode gerar uma serie de limitações, crenças, valores e padrões de comportamento.
A forma como uma criança toma o mundo ao seu redor e a maneira como ela utilizara isto depende muito de como ela sentiu aquilo que lhe foi transmitido, e fica possível imaginar que nem sempre o resultado será satisfatório a esta criança na sua fase adulta.
Desta forma esta criança atravessa sua adolescência, juventude e até mesmo a fase adulta muitas vezes com um sentimento, pensamento ou sensação que se encontram desatualizados.
Na maioria das vezes isto o conduzira a um comportamento também desatualizado fazendo com que suas atitudes causem estranheza ate mesmo à própria pessoa, onde muitas vezes ele próprio nem consegue determinar a sua causa.
Segue-se então um roteiro ou um script sobre o qual muitas vezes nem se tem a noção.
Desta forma fica difícil a própria pessoa saber qual o futuro que a aguarda, sentindo-se assim enredada pelas malhas daquilo que convencionamos a chamar de destino.
Na maioria das vezes este comportamento se torna como uma arma que ao meso tempo em que a defende de algo também a exclui a começar pela própria família.
Segue-se então um processo de expiação enorme onde a culpa e a inocência caminham de mãos dadas, e neste processo a identificação com a vítima se generaliza.
É muito comum que se busque no desenrolar deste roteiro uma aceitação total, o que acaba por gerar uma enorme confusão entre aceitação e aprovação.
O grito é por aceitação quando no fundo aquilo que ele espera é aprovação.

Aceitação, aprovação e desaprovação são muito distintos, mas movido pelo seu roteiro e tudo aquilo que de alguma forma lhe é pré- determinado na maioria das vezes impedem que esta distinção seja feita.
Busca-se aceitação quando na verdade o que espera é uma aprovação sobre o seu comportamento, ficando assim limitado e infeliz com a situação em que se encontra até que se reconheça isto.
Nem sempre as pessoas irão aprovar aquilo que fazemos, mas isto não as impede que nos aceitem com tudo aquilo que trazemos ou fazemos.
Quando esta sensação esta vinculada aos relacionamentos amorosos e afetivos fora da família já é muito difícil de suportar em muitas situações, porém quando ela se encontra vinculada à família tudo se torna muito pior.
O medo de ser excluído tendo um efeito muito maior na família em função do vinculo indivisível causa assim também uma pressão e uma tensa muito maior.
Porém nestas horas o ideal é lembrar que há uma diferença muito grande entre aceitação e aprovação ou desaprovação.
A aprovação ou desaprovação é algo muito pessoal, quando aceitação é universal.
Com esta lembrança e esta consciência podemos ir à frente, e buscar um acordo.
Talvez para que este acordo aconteça seja necessário um abrir mão de algo entre ambas as partes, mas certamente será muito mais leve do que a pressão e as tensões vividas.
Deixe o seu comentário.... opine, fale sobre outros temas....
J. Carlos Froes

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Constelações... aquilo que atua aparece....

Constelações... aquilo que atua aparece....
Nos trabalhos com as constelações sistêmicas e familiares, aquilo que atua aparace, fica claro.... e é com este esclarecimento que o cliente pode fazer algo.
Nem sempre aquilo que aparece é compreendido ou aceito pelo cliente, mas são movimentos da alma. Eles estão ali e atuam e somente para aquilo que se mostra é possivel uma solução.
As constelações demonstram que existem forças ocultas que são muito maiores do que podemos supor e nos oferecem ensinamentos profundos sobre os relacionamentos e suas implicações.
Alguns exemplos sobre isto são dados pelo próprio Berth Hellinger em seus livros e nos fazem refletir sobre isto...
Reflita sobre o texto abaixo:

O que torna felizes as crianças?
- As crianças ficam felizes quando seus pais – ambos os pais - estão felizes com elas. E quando é que ambos os pais ficam felizes com a criança? – É quando cada um respeita e ama na criança o seu parceiro (a sua parceira) e se alegra com ele (com ela).

Falamos muito de amor. Mas quando é que o amor se mostra em sua forma mais bela? – É quando eu me alegro com a outra pessoa, exatamente como ela é. É quando nos alegramos com nossa criança, exatamente como ela é.

O poder que os pais percebem ter sobre os filhos – e, sobretudo, as mães o sentem de uma forma
particularmente profunda, na medida em que vivem tanto tempo em simbiose com eles – deve ser vivenciado como uma missão. Não como um poder pessoal, mas como um poder temporário, a serviço da criança.

Algum tempo atrás, num dos meus cursos, compareceu uma mulher, trazendo no colo uma criança de cinco meses. Estava sentada ao meu lado, e eu lhe disse: “Olhe através da criança, para algo que está longe, atrás dela”.

Ela olhou para longe, através da criança. De repente, a criança respirou profundamente e sorriu para mim.

Ela ficou feliz. – Assim, nessa relação que ultrapassa a criança, ambos ficam mais livres: os pais e a criança. Ambos podem ajustar-se melhor à sua própria destinação, alegrar-se com ela, e assim deixam livre o outro, na medida em que isso é necessário.

O que é esse algo distante, para onde a mulher dirigiu o olhar? – É o destino de cada um, o seu próprio destino e o da criança.

É, até mesmo, algo além do destino. É algo que permanece oculto de nós. Em sua presença permanecemos humildes; não obstante, sabemos que isso nos conduz e sustenta de um modo particular.

Berth Hellinger


"Através do filho o homem encontra e honra o seu amor pela mulher, assim como ela o faz... O filho é a grande possibilidade do reconhecimento do amor entre homens e mulheres,.... e ele nada tem a ver com o que eles querem fazer com seu relacionamento no futuro..."

Se você ainda não conhece; procure saber mais sobre o processo das constelações sistêmicas e familiares Você pode deixar aqui o seu comentário ou mesmo me escrever um email....

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Se você andar sempre pela mesma estrada... você chegará sempre no mesmo lugar...

Se você andar sempre pela mesma estrada... você chegará sempre no mesmo lugar...
Ao lermos esta frase a impressão que temos é de que ela é obvia demais.
Sim, pois quem anda por uma estrada... uma única estrada sempre chega ao mesmo lugar... isto mais do que uma frase é acima de tudo uma grande afirmação.
E o que são as afirmações se não algo que é obvio, porém o obvio nem sempre é tão obvio.
Se sabemos disto por que muitas vezes caminhamos sempre pela mesma estrada.
Porque muitas vezes não tivemos opção, não encontramos um retorno, desvio, bifurcação ou seja lá qual for o saída que mude o nosso movimento ou nos tire dela.
Mas num determinado momento surge uma opção, uma possibilidade se apresenta! E se ai então seguimos, é por que no fundo, mesmo que ainda não nos
tenhamos dado conta disto, ganhamos algo.
Cabe aqui uma observação, nem sempre aquilo que ganhamos necessariamente é algo bom, mas certamente pode ser algo que nos alimenta.
Algo com o qual se pode receber algum tipo de carícia ou reconhecimento, mesmo que negativo.
A priori isto aparece como algo conflitante, e ao nos aprofundarmos na questão, veremos que é isto mesmo, Conflito.
Imagine alguém que tenha aprendido a receber carinho e reconhecimento na dor, no desapontamento, na angustia, ou em algo que para esta pessoa é negativo.
Porque ela insiste em fazer sempre do mesmo jeito... Porque ela se alimenta.
Pense agora se isto não acontece conosco em diversas situações.
E é aqui que podemos então discutir um pouco sobre o que é ilusão e esperança.
Você já pensou em qual é a diferença entre ilusão e esperança.
As duas são muito parecidas... sim qual a diferença entre ilusão e esperança...
Ilusão é algo que talvez nunca aconteça...
Esperança também...
Mas o que muda....

Quero oferecer a você agora uma pequena história... sistêmica que pode nos ajudar a refletir sobre esta questão...

Meu destino é carregar algo.....
Havia um pequeno jumento que desde muito cedo foi talhado para o trabalho pesado... forçado...
Desde pequeno ele ouviu do seu dono elogios somente nos momentos em que ele estava CARREGADO...
Como você é bom...
Você é o melhor companheiro para mim....
Você carrega minha carga e isto me alivia... por isto eu te amo você...
Puxa como você é forte...
Sem você o que seria de mim...
Ele sempre carregado e o dono sempre se sentindo leve com a situação...
Nos momentos de descanso, o dono o deixava confinado e saia para sua vida..
Ele estava sempre com os seus... se divertia, passeava, vivia bem...
Nos momentos onde ele precisava de força... lá estava o seu fiel animal...
Assim a vida caminhava...
Juntos nesta caminhada um dia lá estavam eles por uma estrada a tanto trilhada...
Uma estrada longa.. bem longa....
Uma estrada difícil para ambos, cheia de pedras e obstáculos...
A estrada muito difícil, íngreme, mas com uma paisagem exuberante...
Lindos campos dos dois lados....
Campos e pastagens fartas, terra fértil, agua em abundância, sombra e tudo mais que se possa imaginar...
O jumento ali carregado se sentindo o mais nobre de todos...
Seu dono incansável nos seus elogios... mas leve, apesar de uma estrada difícil... ele estava muito mais leve, pois o seu valoroso animal carregava tudo.
Eis que num momento o dono morre.. e o pequeno animal segue carregado pelo mesmo caminho....
Cumpre assim o seu destino...
Ele percebe que algo aconteceu ao seu dono....
Ele havia parado na estrada... mas ele sabia que se continuasse com a carga, esta seria a melhor maneira de honrar ao seu dono...
E assim ele segue... cumprindo seu destino...
Muitas léguas a frente um outro jumento que pastava tranqüilamente no campo... olha para aquele que vem carregado...
O que está carregado percebe o outro também....
O que está carregado pensa... Ele não sabe o que é honrar alguém....
E o que pasta tranqüilamente pensa....

EU ESTOU BEM AQUI.....

Quando tempo este valoroso animal caminhou com esta carga já não sabemos...

Bem e agora talvez valha a pena perceber qual é a pequena diferença entre ilusão e esperança...
Ação....
Boa reflexão....

Obrigado por visitar meu blog... e aguardo seus comentários...
José Carlos O. Froes
A metáfora acima é uma adaptação livre de uma metáfora escrita por Bert Hellinger no seu livro "No centro sentimos leveza"

segunda-feira, 15 de março de 2010

O recheio do bolo...

Justificar
O recheio do bolo....
Bem quero começar este texto discutindo um pouco sobre culinária, mais precisamente sobre uma parte que adoramos: a sobremesa!.

Quero falar em especial de uma sobremesa; o bolo Floresta Negra, cuja origem é cheia de controvérsias, e apesar de todas acredita-se que esteja ligado à Alemanha e a região de uma das mais belas e maiores florestas do país; a Floresta Negra.

Sabendo da sua origem acredito que você já tenha provado deste bolo e se não o fez o Floresta Negra nada mais é do que um bolo de chocolate que cortado ao meio é umedecido com uma calda de cerejas, e recheado com chantilly e cerejas em caldas.


Em seguida ele recebe uma cobertura de chantilly, cerejas e raspas de chocolate.


Este é o Floresta Negra.... com este recheio e esta cobertura.

Mas e se tirássemos o recheio deste bolo
?
, No que ele se transformaria...?

Num simples bolo de chocolate... sim sem recheio; somente um bolo de chocolate.


E o que isto tem a ver com este texto, e o que quero com isto
?


O que isto tem a ver você descobrirá e o que quero é utiliza-lo como uma espécie de metáfora sobre a qual possamos fazer uma reflexão.


Quero refletir com você, sobre quando não aceitamos o todo; será que é possível aceitar a parte...
? Se aceitamos uma parte necessariamente estaremos aceitando o todo.?

Talvez um pouco antes seja possível perguntar, o que exatamente quer dizer aceitar...
?

Será que aceitação e perdão são a mesma coisa
?, e concordar com algo... o que vem a ser isto?

Bem quero começar discutindo um pouco sobre perdão, minha visão sobre o perdão talvez seja um tanto quanto particular, mas entendo que quando alguém perdoa alguém, algo estranho acontece.. Veja; por acaso o que perdoa de alguma forma não se coloca acima daquele que é perdoado.


Será então que o processo do perdão não é um processo onde nos colocamos num nível diferente de alguém...
? E como isto fica para quem perdoa, para quem é perdoado, e sinta como fica para você agora sob este ponto de vista. Reflita.

Bem mas esta questão do perdão quero discuti-la em outro texto, quero voltar agora ao tema aceitação...


Procure nos dicionários e você encontrará algo acerca do aceitar como: tomar algo, entrar em harmonia com algo, reconhecer... e quero agora levar isto para o nosso bolo: o floresta negra..


Se tiramos o recheio o floresta negra vira apenas um bolo de chocolate...

E onde eu quero chegar....
?

Quero aproveitar este texto para falarmos de algo que tenho vivido em muitos dos treinamentos que dirijo: a aceitação dos filhos em relação aos seus pais.


Concordo que alguns pais tenham imposto aos seus filhos, sofrimento e dor. Da mesma forma que qualquer pessoa possa fazer isto conosco, concordo que os pais também os fazem... alguns pelo menos.


E o que tenho visto por parte dos filhos uma dificuldade em aceitar seus pais... em alguns processos uma raiva profunda.


Mas a minha pergunta é: E o recheio... como fica.
?

Quando excluímos uma parte como ficamos....
? Volto agora ao todo e a parte...

Quando excluo tudo, eu excluo tudo, isto é um fato.

Se excluo meus pais, por acaso não excluo uma parte minha também...


Já sei, e nesta etapa que devemos falar um pouco sobre concordar com algo, ou mais precisamente sobre a palavra concordar.


Se procurarmos o significado da palavra concordar cairemos em algo como aceitar, conformar-se, mas a que termo chegamos...

Pense... será possível, que aceitemos algo sem que tenhamos que concordar com este algo.
?

Não temos que necessariamente concordar com algo que aceitamos.

Pense, reflita um pouco.


Talvez se os filhos tomarem os seus pais como eles são sem julgamentos ou preconceitos, e fizerem isto de uma forma muito autentica, apesar de toda dificuldade, não digo que aceitação seja algo fácil.


Desta forma, talvez seja possível que voltemos a ser um belo Floresta Negra ao invés de um simples bolo de chocolate.


Reflita.

J. Carlos Froes