Passar pela dor....
“Meu passado está morto e enterrado”
“Para isto eu não olho mais”
“Quero deixar meu passado lá... ele não tem lugar aqui”
Confesso que em alguns momentos lá atrás eu mesmo utilizei estas frases, mas a cada dia que passa, mais me convenço que de alguma forma elas são apenas uma maneira de nos mantermos conectados àquilo que não queremos mais.
Jung (medico e psiquiatra suíço) em algumas de suas celebres frases reforça esta tese:
“O sofrimento precisa ser superado, e o único meio de superá-lo é suportando-o.”
“Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos”
“Tudo aquilo que não enfrentamos em vida acaba se tornando o nosso destino.”
“É escusado sonhar que se bebe; quando a sede aperta, é preciso acordar para beber.”
“Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que
lutaste.”
Veja que não é de hoje e nem minha apenas a visão de que quando passamos por nossas dores podemos aprender com elas.
Um questionamento que sempre vem à tona quando penso nas dores pelas quais passamos é:
Como podemos enterrar uma parte de nossa história?
Nossa vida desde o momento em que nascemos se pauta pelas polaridades.
Pode nos libertar de fato? E de que?
Liberdade é algo está ligado a uma sensação.... e quando entendemos como buscar esta sensação podemos buscá-la quando quisermos.
Desta forma podemos nos libertar de crenças e valores ultrapassados.
Uma metáfora que as vezes utilizo em meus treinamentos:
Um homem um dia estava no enterro de seu próprio filho e não conseguia derrubar uma lágrima sequer.
Todos os que estavam a sua volta olhavam para ele com extrema reserva, presos num julgamento enorme.
“Que homem frio”; “Sem coração”; “Insensível”....
Agora imagine que pudéssemos voltar o filme de sua vida e voltar a uma época distante, lá na sua infância... quando nos deparamos com a seguinte cena...
Ele pequeno chorando e fazendo birra... (crianças fazem birra!)
Seu pai se aproxima, dá-lhe uma palmada e diz:
“Menino pare de chorar, você não vê que cada vez que você chora sua mãe morre um pouquinho..”
Ele para de chorar e segue sua vida desta maneira.
Quantas oportunidades este homem não perdeu? Por quantas vezes foi julgado?
E assim chegamos ao fatídico dia do enterro de seu filho...
Uma mensagem ficara gravada no seu intimo:
“Cada vez que você chora, você mata alguém que ama um pouquinho...”
Como chorar a morte de alguém, sem que alguém próximo e amado morra também? Difícil.
Mas imagine que agora ele saiba disto... Ai sim ele pode se libertar...
Entendendo que naquele momento a única coisa que seu pai queria era proteger sua mãe. Que tudo se tratava de amor.
Saber disto não retira nada do que foi dito, nem tampouco a dor da palmada, mas oferece um conhecimento sobre sua própria historia que é libertador.
A possibilidade de passarmos pelo trauma ou dor, isto sim pode ser libertador.








